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1/2Bets clandestinas participam de ataque ao mercado regulado de apostas, denunciam plataformas legalizadas
Além dos prejuízos à regulamentação da indústria de bets, o mercado ilegal também tem participado de campanhas que têm como finalidade o ataque às empresas autorizadas, segundo suspeitas das plataformas regulamentadas no país.
A denúncia é do site BNL Data, que revelou declarações de uma fonte ligada às operadoras de apostas legalizadas. A pessoa, que não foi identificada, relatou que parte dos conteúdos e campanhas de impulsionamento nas mídias sociais contrários às bets teria origem no mercado ilegal.
“Estamos preocupados com a possibilidade de que grupos ligados ao mercado ilegal, provavelmente o chinês, que ainda possui grande relevância e escala no Brasil, estejam por trás dessas investidas”, disse a fonte. “O objetivo seria inviabilizar a legalização do setor para que, com o retorno à ilegalidade, cessem as ações de combate que vêm sendo implementadas.”
Ainda segundo as denúncias, o mecanismo descrito envolve tanto empresas clandestinas quanto intermediários que operam formalmente em outros setores e que têm legitimidade para operar no Brasil e que estariam patrocinando ataques às plataformas legalizadas.
O alvo mais imediato da pressão seria o “jogo do Tigrinho” (permitido pela legislação brasileira) e os jogos online em geral, com demandas crescentes pela proibição da modalidade. Ainda segundo a matéria, especialistas do setor regulado advertem que essa seria a saída mais conveniente para os operadores ilegais, uma vez que a proibição não elimina a demanda por jogos, mas a deslocaria para plataformas clandestinas.
Bernardo Cavalcanti Freire, sócio do Betlaw, escritório de advocacia especializado no setor de betting, e consultor jurídico da ANJL (Associação Nacional de Jogos e Loterias), defende ser "fundamental que o tema seja tratado com a devida atenção pelas autoridades. Trata-se de um problema muito sério, eis que empresas clandestinas causam prejuízos ao jogador, sonegam impostos e ainda geram a crise reputacional de um mercado que tem no Brasil uma das melhores regulamentações do mundo”.
Um dos antídotos para o atual panorama seria solucionar a falta de transparência dos dados enviados pelas plataformas ao Sistema de Gestão de Apostas (Sigap), da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda. Isso porque, sem um painel público com GGR mensal, perfil e quantidade de apostadores, ticket médio e outros indicadores, o vazio informacional é preenchido por estudos de metodologia frágil, frequentemente com viés contrário ao setor.
Mercado ilegal movimenta até R$ 40 bilhões por ano
Além das campanhas de descredibilização da indústria legalizada, o setor clandestino também já ocupa fatia relevante do mercado brasileiro. De acordo com um estudo do Instituto Esfera, divulgado em fevereiro de 2026, o mercado ilegal já responde por 41% a 51% das apostas online no Brasil, movimentando entre R$ 26 bilhões e R$ 40 bilhões por ano.
Fonte: Assessoria de Comunicação
