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Brasil x Coreia do Sul: as diferenças entre os mercados de apostas dos dois países

Brasil x Coreia do Sul: as diferenças entre os mercados de apostas dos dois países

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Brasil x Coreia do Sul: as diferenças entre os mercados de apostas dos dois países

Bruno Pessa
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Atualização
Tempo de leitura4 min

Brasil e Coreia do Sul se enfrentaram nesta sexta-feira (10 de outubro), em mais um amistoso internacional com foco na preparação para a Copa do Mundo de 2026. Além do encontro entre duas seleções, o confronto simbolizou o embate entre realidades opostas entre as duas nações: o mercado de apostas esportivas. O Brasil vive plena expansão em um cenário recém-regulamentado, já o coreano é limitado por leis rigorosas que impulsionam a atividade clandestina.

No Brasil, as apostas esportivas foram regulamentadas em janeiro de 2025. Apenas no primeiro semestre, o Governo Federal arrecadou mais de R$4 bilhões em tributos, enquanto empresas do setor repassaram cerca de R$773 milhões a entidades esportivas.

“Desde a regulamentação das apostas esportivas, o setor impactou positivamente o país com a geração de milhares de empregos, repasse de bilhões de reais em impostos e investimentos substanciais no setor esportivo. Além do apoio direto ao esporte, como o patrocínio a todos os clubes da Série A do Campeonato Brasileiro”, comenta Alex Rose, CEO da InPlaySoft, empresa internacional de tecnologia que atua na criação e administração de plataformas de apostas esportivas.

Já Bernardo Cavalcanti Freire, consultor jurídico da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e sócio do Betlaw, escritório de advocacia especializado em bets, destaca a importância da fiscalização constante.

“A firme atuação do Governo é essencial para viabilizar o combate aos ilegais, que não são apenas as casas que exploram as apostas sem licença, mas todos que prestam serviços a tais empresas – principalmente os meios de pagamento e instituições financeiras”, ressalta o advogado.

O cenário é completamente diferente na Coreia do Sul. Apesar da popularidade crescente das apostas esportivas, o país mantém restrições severas desde 2013, após o aumento de dívidas e problemas sociais ligados ao jogo. Atualmente, apenas uma empresa tem autorização para operar legalmente, tanto em lojas físicas quanto no ambiente digital. Mesmo assim, o mercado ilegal se expande rapidamente. 

Segundo dados publicados no The Korea Times, JoongAng Daily e Casino Beats, o número de apostas online ilegais quase triplicou entre 2019 e 2023, saltando de cerca 13 mil para mais de 39 mil registros. No mesmo período, a atividade ilegal representou mais de 80% de todas as ações de jogo monitoradas pelas autoridades.

O impacto econômico também é expressivo: estima-se que nos últimos cinco anos, o volume total de apostas ilegais tenha ultrapassado 102 trilhões de wons (aproximadamente U$76 bilhões) no país asiático. Um único esquema desmantelado em 2024 movimentou o equivalente a US$384 milhões. Além disso, o envolvimento de menores preocupa: mais de 4.700 adolescentes foram identificados em apostas ilegais em apenas 1 ano na Coreia do Sul.

Para Ricardo Bianco Rosada, fundador da brmkt.co, consultoria de marketing e estratégia e que tem mais de 20 anos de atuação no setor, o caso sul-coreano é um alerta sobre os riscos de um controle excessivo.

“Na Coreia do Sul, vemos o efeito clássico de uma regulação excessivamente restritiva: o público não deixa de apostar, apenas migra para canais clandestinos. Isso amplia o risco para o jogador, que fica sem proteção, e enfraquece o mercado legal, que perde relevância e capacidade de desenvolvimento. O grande desafio, tanto lá quanto em outros países, é achar o ponto de equilíbrio: um ambiente regulado, responsável e sustentável, que trate as apostas como entretenimento e consiga atrair o jogador para dentro do sistema oficial em vez de empurrá-lo para fora dele”, avalia.

Com estimativas que apontam para 36 milhões de contas ativas até 2026, o Brasil caminha para se consolidar entre os maiores mercados regulamentados do mundo. Já na Coreia, a falta de alternativas legais faz crescer a atuação de redes internacionais clandestinas, um contraste que mostra que, no universo das apostas, a estratégia fora de campo é tão decisiva quanto o desempenho dentro dele.

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Apostas não são meio de enriquecimento e podem levar à perda de dinheiro. O jogo pode causar dependência: saiba quando parar! Defina seus limites antes de começar.
Sobre o autor
Bruno PessaBruno Pessa
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