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1/3Fazenda vai editar MP para tributar bets em 18% como alternativa ao aumento do IOF
O mercado de bets no Brasil se prepara para mais uma alteração de tributos depois do advento da regulamentação do setor via legislação. Nesse último domingo (8), o ministro da Fazenda Fernando Haddad anunciou a proposta alternativa do governo ao aumento do IOF e ela repercute na alíquota de tributação das empresas que operam jogos online, passando de 12% para 18%.
O governo se prepara para editar a medida provisória que incluiu esta mudança, além de eliminar a isenção de impostos sobre determinados títulos de investimento, sem especificar necessariamente quais. A equipe econômica ainda não apresentou uma estimativa oficial de arrecadação com as medidas. De acordo com Haddad, o trecho das bets será detalhado posteriormente.
"Essa MP vai nos permitir recalibrar o decreto do IOF, para reduzir as alíquotas do decreto original", disse Haddad à imprensa.
A reunião, realizada nesse domingo (8), contou com a presença de importantes personagens do cenário político do país, como Davi Alcolumbre, presidente do Senado; Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados; Gleisi Hoffmann, ministra das Relações Institucionais; Antônio Brito (BA), líder do PSD; e Pedro Lucas (MA), líder do União Brasil.
O encontro foi marcado depois que o Congresso Nacional mostrou-se totalmente contrário ao decreto editado pelo governo que elevou as alíquotas do IOF para compensar parte do rombo fiscal de R$ 52 milhões estimado para 2025. A medida criou uma grande crise institucional, fazendo com o que o governo recuasse em parte da proposta. Mas, na ocasião, ainda não havia uma solução para a compensação como as iniciativas apresentadas nesse domingo (8).
Abaixo, veja os quatro pontos principais da alternativa para compensar o aumento da alíquota sobre as operações financeiras:
- 18% de imposto sobre apostas online;
- 5% sobre LCA (Letra de Crédito do Agronegócio) e o LCI (Letra de Crédito Imobiliário) e demais títulos deixarão de ter isenção; equiparação do CSLL (Contribuição Social sobre Lucro Líquido) das fintechs ao de bancos, que poderá ser de 15% ou 20%;
- A Fazenda vai baixar um novo decreto para “recalibrar” todas as medidas que ainda estão de pé no decreto sobre o IOF. O risco sacado está entre as medidas que serão revistas, com a taxa fixa revogada. Segundo o governo, a arrecadação prevista inicialmente caiu em cerca de 1/3 com as novas regras;
- Irão ser revistos gastos tributários de natureza infraconstitucional em pelo menos 10%, segundo Haddad. por fim, os líderes deverão consultar suas bancadas para avaliar medidas de para melhorar o gasto primário. Deverá haver uma nova reunião a respeito do tema. Haddad não descartou rever temas que já foram votados anteriormente pelo Congresso.
Como isso impacta nas bets?
O reajuste proposto pelo Governo poderá impactar na saúde financeira das empresas de bets. Restará, portanto, 82% para que as empresas mantenham as operações e paguem outros tributos. O site BNL Data fez um levantamento detalhado de todas as contribuições que as empresas de jogos online pagam em tributos.
- Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (7,6% do faturamento);
- Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (15% do faturamento);
- Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (9% sobre o lucro);
- Programa de Integração Social – PIS (1,65% sobre o lucro), que dá um total de 33,25% de tributos federais, além do municipal Imposto Sobre Serviços – ISS, que acrescenta a taxação de 5% a 2% dependendo do município onde estiver instalada a empresa.
No cenário atual, a tributação das bets é de 38,25% a 35,25%. Se somarmos a estes valores os 12% do GGR, o setor tem uma taxação de 50,25% (ISS de 5%) e 45,25% (ISS de 2%). A proposta de acrescentar mais 6% aos 12% da tributação elevando para 18% poderá representar que as bets terão uma taxação total de 56,25% (ISS de 5%) e 51,25% (ISS de 2%).
Os números não contam ainda o pagamento da Taxa de administração e Taxa de Fiscalização Fixa, a amortização do valor da outorga à União, despesas com terceirizados devidos as exigências regulatórias e outros tributos trabalhistas. Há ainda o temor de medidas regulatórias ainda mais rígidas, que impeçam a publicidade do setor, além da inclusão das bets e loterias no Imposto Seletivo e também no chamado "Imposto do Pecado".
"Os atuais operadores poderão afirmar com clareza que foram vítimas de ‘estelionato regulatório das bets'", diz Magnho José, editor do site BNL Data.
(Foto: Ministério da Fazenda/Flickr Oficial)