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1/3Governo pode cobrar R$ 12,6 bilhões em impostos retroativos de casas de apostas
O governo federal avalia a possibilidade de cobrar tributos retroativos das casas de apostas esportivas que atuaram no Brasil antes da regulamentação oficial do setor. A proposta está em discussão por um grupo de trabalho composto pela Receita Federal (RF) e pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), vinculada ao Ministério da Fazenda.
A expectativa é arrecadar aproximadamente R$ 12,6 bilhões, com possibilidade de parcelamento dos valores devidos, segundo fontes ligadas às negociações. Cerca de 135 empresas estariam na lista de operadoras a serem notificadas.
- A regulamentação das apostas esportivas entrou em vigor em janeiro de 2024. Desde abril, o setor passou a ser taxado com uma alíquota de 12%. No entanto, o entendimento da Receita é de que empresas que atuaram anteriormente já estavam sujeitas a tributos como Imposto de Renda, PIS e Cofins, mesmo sem regulamentação específica.
O secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, reforçou em março deste ano que a autorização concedida às empresas não isenta a fiscalização sobre o período anterior à regulamentação. Ele afirmou que “as casas de apostas que lucraram no país antes da legalização devem sim responder por tributos retroativos”.
O próprio ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou que a análise está em andamento, embora não tenha revelado detalhes por conta do sigilo fiscal. Em seu Relatório Anual da Fiscalização 2025, a Receita classificou essa cobrança como uma ação “estruturante”, essencial para assegurar a conformidade do mercado e coibir a atuação de empresas à margem da lei.
Além disso, está em trâmite no Congresso Nacional uma Medida Provisória (MP) que propõe o aumento da alíquota do ISS sobre apostas para 18%. A proposta prevê uma arrecadação de R$ 284,94 milhões em 2025, com estimativas de até R$ 1,7 bilhão nos anos de 2026 e 2027.
Haddad, crítico do setor, já declarou publicamente que as apostas esportivas representam um risco à economia e estima que mais de R$ 40 bilhões deixaram de ser arrecadados durante o período anterior à regulamentação.
(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)