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Pix, "padarias" e apostas ilegais: como a SPA está rastreando o dinheiro do jogo clandestino
O governo brasileiro já iniciou um mapeamento preciso das instituições financeiras que prestam serviços a apostas esportivas ilegais, especialmente bancos e fintechs que oferecem as chamadas “contas-bolsão”. Esse tipo de conta, frequentemente em instituições menores, é atualmente alvo da SPA (Secretaria de Prêmios e Apostas), vinculada ao Ministério da Fazenda, que busca “secar” o fluxo financeiro dessas operações.
A ação está sendo feita inclusive junto com o Banco Central, embora muitas dessas instituições ainda estejam fora do radar desse último.
Três frentes de atuação: publicidade, bloqueios e fluxo financeiro
Conforme explica Regis Dudena, secretário de Prêmios e Apostas, o combate às bets ilegais se dá em três eixos principais:
- Coibir a publicidade de sites ilegais
- Derrubá-los — ou seja, retirar do ar
- Secar seu fluxo financeiro
“A gente começa a perceber que provavelmente esses prestadores de serviços, sejam as próprias instituições de pagamento, sejam pessoas intermediárias, também prestam serviço para outras atividades ilegais”, disse à reportagem do Valor o secretário, duas semanas após megaoperações ligadas ao crime organizado no setor de combustíveis e lavagem de dinheiro em fintechs. “Essa é a impressão que a gente tem.”
Contas intermediárias e “contas-ônibus”
A SPA levantou que, muitas vezes, as bets ilegais funcionam usando contas de prestadores de serviços financeiros como intermediários. Essas “contas-bolsão” ou “contas-ônibus” são usadas para movimentar dinheiro, inclusive de operações aparentemente legais, mas também de atividades ilegais. Num exemplo concreto, Dudena mencionou:
“Esse cara aqui, ele tem o registro de um vendedor de carros usados… Só que aí você vê um monte de transferências de R$ 100 à noite e fala: ‘esse cara não é um vendedor de carros usados. Ele está fazendo outra coisa’.”
Ainda segundo o secretário, entre 300 a 400 contas desse tipo já foram identificadas como sendo utilizadas por bets ilegais. A maioria delas pertence a fintechs pequenas que, por seu porte, não precisam de autorização do Banco Central para operar.
Antecendendo prazos e aumentando a fiscalização
Até recentemente, esse grupo de instituições menores estava fora do olhar rigoroso do Banco Central. Conforme Dudena:
“Qual é o principal motivo disso? É porque elas estão abaixo do radar de supervisão do regulador. O Banco Central não olhava para elas até esse momento, porque, para usar a expressão do setor financeiro, elas não tinham relevância sistêmica suficiente.”
Com as evidências de envolvimento com crime organizado e ataques cibernéticos, o governo decidiu antecipar prazos regulatórios: a autorização que essas instituições financeiras deverão obter junto ao Banco Central, prevista inicialmente para dezembro de 2029, foi adiantada para maio de 2026.
Integração entre órgãos e obrigatoriedade legal
A SPA não age sozinha. Seus levantamentos são compartilhados com Banco Central, Polícia Federal e Receita Federal, para que cada órgão atue dentro de sua competência. Também é lei que bancos, fintechs e administradoras de cartão desenvolvam métodos para identificar bets não autorizadas:
“Aqui, a gente tem dentes”, frisou Dudena.
Quando suspeitas surgem — por exemplo, “picos de transferências antes de jogos de futebol”, uso de “padarias” como fachada ou movimentações que fogem ao perfil declarado —, as instituições financeiras devem reportar à SPA, encerrar a relação com o cliente e suspender os serviços.
Resultados concretos até agora
No primeiro semestre, 24 instituições financeiras notificaram a SPA, gerando 277 reportes.
Desses casos, 255 contas (de pessoas físicas ou jurídicas) foram fechadas.
Por outro lado, a SPA oficiou 13 instituições exigindo informações ou encerramento de contas suspeitas — resultando no fechamento de 45 contas.
(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)