
Superscore: o que é o novo patrocínio de São Paulo e Fluminense?
Com a proibição das bets no cenário brasileiro, São Paulo e Fluminense, equipes que são patrocinadas pela Superbet, precisaram recorrer ao departamento de marketing e encontrar uma nova alternativa. Sem a casa de aposta no principal lugar do uniforme, o Superscore, empresa que pertence a Superbet, será estampada nas camisas.
O que é a Superscore?
A Superscore é uma plataforma volta a estatística. Ou seja, resultados, números e dados de futebol em tempo real são os serviços que a empresa oferece.
Apesar da ligação com a Superbet, a empresa não tem nenhum vínculo com casa de aposta e, dentro do seu site, a plataforma não tem odds ou sugestões de apostas.
Superbet e os contratos com São Paulo e Fluminense
De acordo com as informações divulgadas nos últimos dias, a Superbet manteve o contrato de patrocínio com São Paulo e Fluminense. Enquanto a MP das Bets segue em vigor, a Superscore vai permanecer nas camisas de forma pontual.
Vale lembrar, que o São Paulo tem contrato com a Superbet até 2030. Pelo acordo, o Tricolor irá receber R$ 680 milhões. Já o Fluminense tem vínculo até 2029 e o valor anual está em R$ 53 milhões.
O Brasil não é o primeiro país a tirar as casas de apostas do peito dos jogadores, nem o primeiro a ver o mercado responder com marcas "irmãs". Itália e Inglaterra seguiram caminhos quase opostos. Uma agiu por lei, de uma vez só. A outra, por acordo entre os clubes e com anos de transição. As duas experiências ajudam a entender o que está em jogo para São Paulo e Fluminense.
Ações parecidas aconteceram em outros países
A Itália foi pioneira. Em 2018, o primeiro governo de Giuseppe Conte aprovou o chamado Decreto Dignità, que vetou qualquer forma de publicidade, inclusive indireta, de jogos e apostas com prêmio em dinheiro, em qualquer meio, de eventos esportivos a redes sociais. Para os patrocínios esportivos, a regra entrou em vigor em 1º de janeiro de 2019. O baque foi imediato. Segundo a própria Lega Serie A, 12 dos 20 clubes da primeira divisão tinham acordos com empresas do setor na temporada 2017/18. As estimativas apontam perdas de 80 a 100 milhões de euros por ano para os clubes da Serie A.
As diretrizes publicadas em 2019 pela Agcom, a agência reguladora das comunicações, separaram a publicidade proibida da comunicação informativa. O órgão entendeu que os portais de "infotainment", sites de conteúdo esportivo que carregam no nome a marca de um operador, eram autônomos em relação ao jogo e podiam ser promovidos. Na prática, as casas de apostas passaram a aparecer como sites de informação, com nomes levemente alterados, domínios .news ou .sport e identidade visual idêntica à original.
O modelo continua em campo. Nesta temporada, a Inter estampa a Betsson.sport, a Roma usa a Eurobet.live, o Parma exibe a AdmiralBet.news e o Torino leva o bet365 Scores. A Roma apresenta a Eurobet.live como um serviço de placares ao vivo e estatísticas, praticamente a mesma descrição que a Superbet usa para a Superscore no Brasil. Em 2025, o bet365 Scores, aplicativo de resultados e estatísticas ligado à casa de apostas britânica, tornou-se parceiro oficial de infotainment do Napoli. Pelas contas da associação Agipro, citadas pelo jornal ItaliaOggi, esses acordos movimentaram cerca de 40 milhões de euros só na Serie A em 2025/26.
Inglaterra: autorregulação, transição longa e só a frente da camisa
A Premier League escolheu outro caminho. Em abril de 2023, os clubes concordaram em tirar as casas de apostas da frente das camisas, com prazo até o início da temporada 2026/27. Foi a primeira liga do Reino Unido a adotar a medida voluntariamente, depois de uma consulta com o Departamento de Cultura, Mídia e Esporte, em meio à revisão da legislação britânica sobre jogos. Os clubes tiveram três temporadas para desfazer os contratos, e 2026/27 é a primeira edição da liga sem bets no peito dos uniformes.
O veto, porém, é parcial. Ele vale apenas para a frente da camisa de jogo. As marcas de apostas seguem liberadas nas mangas, nos uniformes de treino e nas placas à beira do gramado. Everton e West Ham, por exemplo, transferiram seus parceiros do setor para a manga.
A dependência era alta. Antes da mudança, as bets estavam em 11 dos 20 clubes da Premier League. Para esta temporada, oito precisaram buscar substitutos: Aston Villa, Bournemouth, Brentford, Crystal Palace, Everton, Fulham, Nottingham Forest e Sunderland. As projeções eram pessimistas. O mercado estimava um rombo anual de cerca de 80 milhões de libras, e a publicação especializada The Sponsor calculava que esses clubes perderiam, em média, 38% do valor do espaço.
Os primeiros números, no entanto, contaram outra história. Segundo levantamentos do The Long Play e do Insider Sport, os patrocínios frontais da liga somam 444 milhões de libras em 2026/27, alta de 8%. Os oito clubes afetados trocaram cerca de 67 milhões em contratos com bets por aproximadamente 75 milhões em novos acordos. O setor financeiro passou a ser o mais presente nas camisas, mas Nottingham Forest e Sunderland não conseguiram fechar novos contratos a tempo.
