
30 dias do fim das bets no Brasil: quais casas demitiram funcionários
A Medida Provisória 1.394, publicada em 25 de setembro de 2026 pelo governo federal, provocou demissões em massa no setor de apostas online. Em 30 dias, ao menos 36 operadoras cortaram postos de trabalho, atingindo mais de 3.500 colaboradores, segundo levantamento parcial da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e também em nossa pesquisa em publicações de profissionais do setor no LinkedIn e em grupos especializados no WhatsApp.
36 operadoras confirmadas com corte de pessoal
Até a publicação desta matéria, a lista de casas que realizaram layoffs inclui:
- Pinbet
- Gingabet
- Rivalo
- Pitaco
- Sabiá Gaming
- Energia Bet
- B1 Bet
- MultiBet
- Apostou Bet
- EsportivaBet
- BateuBet
- GeralBet
- LíderBet
- BandBet
- StartBet
- LuckBet
- 1pra1
- HiperBet
- PlayBet
- BrBet
- H2Bet
- JogodeOuro
- DigiPlus (BingoPlus)
- Aposta Ganha
- CassinoBet
- VeraBet
- SupremaBet
- Ana Gaming
- Cactus Gaming
- Brasil da Sorte
- 4Play
- Pagol
Algumas registraram demissões integrais e outras parciais. A Bet Dá Sorte e a H2Bet, por exemplo, cortaram parte do quadro — esta última dispensou 180 pessoas. Lance de Sorte, Ultra Bet e Máxima Bet encerraram por completo suas operações.
Como foi mapeado os layoffs no setor?
As operadoras não divulgaram comunicados oficiais sobre os cortes e, portanto, o levantamento foi construído a partir de relatos publicados pelos próprios trabalhadores demitidos em redes sociais e grupos profissionais do setor de iGaming. Essas listas são consideradas confiáveis pela comunidade porque são atualizadas continuamente pelos próprios afetados.
Mercado regulado que gerava recolhimento de impostos
Até 25 de setembro, o setor de iGaming operava sob regulação federal, recolhia tributos e era reconhecido como gerador de empregos formais no Brasil. Não era, de modo algum, um mercado clandestino. As operadoras eram legalmente constituídas e atuavam dentro do marco regulatório vigente, que foi abruptamente encerrado.
A suspensão imposta pela MP atingiu, portanto, empresas que cumpriam obrigações fiscais e trabalhistas. Desse modo, para instituições do setor, o impacto econômico foi além dos postos eliminados: envolve recolhimento de FGTS, INSS e impostos sobre receita que deixaram de ser gerados.
Férias coletivas também atingem 4.100 colaboradores
Além dos 3.500 demitidos, cerca de 4.100 funcionários foram colocados em férias coletivas, de acordo com o levantamento da ANJL. Isso, de certa forma, é positivo, pois movimento indica que parte das operadoras aguarda o desfecho legislativo antes de tomar decisões definitivas sobre o quadro de pessoal.
Por outro lado, quem já está sem emprego tende a ter mais dificuldades. Como publicamos há alguns dias aqui no A10, os trabalhadores afetados sofrem não só com as demissões, mas com a dificuldade em recolocação no mercado de trabalho devido ao preconceito com ex-funcionários de bets.
Caminhos incertos: caducidade, aprovação ou inconstitucionalidade
A MP 1.394 tem força de lei imediata, mas pode seguir três caminhos. O primeiro: caducar após 120 dias (prazo que, em tese, se encerra em janeiro de 2026, mas devido às férias do legislativo, só vence em 3 de março) caso o Congresso não a vote.
O segundo: ser aprovada, com ou sem modificações, mantendo ou alterando as restrições ao setor. O terceiro: ser declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
O ministro Luiz Fux, do STF, convocou audiência pública para 3 de novembro para ouvir representantes favoráveis e contrários à continuidade das apostas no Brasil. A decisão do tribunal pode antecipar qualquer desfecho no Congresso.
KTO e Betfair encerraram atividades no país e não devem retornar mais ao mercado brasileiro, independentemente do reestabelecimento legal do setor de Bets no país. O número final de demissões no setor dependerá do caminho que a MP percorrer.
